segunda-feira, 12 de março de 2012

La Loba

La Loba, resumidamente, é a história de uma velha feiticeira que trazia vida a partir de ossos. Pra quem tiver interessem em saber mais, é só ler o livro "Mulheres que correm com os lobos".

E daí que eu tive depressão pós-parto. Foi tenso, foi tipo a pior tristeza que eu já senti na minha vida, um misto de sentimentos antagônicos que até hoje eu sinto vergonha de falar e, pra intensificar tudo, eu ficava o dia inteiro sozinha com a Aurora, pois o Luciano tinha que ir pra faculdade. Tomei remédio, melhorou, mas não passou, e começei a fazer terapia uns meses atrás.

O remédio estava me fazendo ficar dócil, muito dócil, como eu nunca fui na vida. Recentemente eu passei por situações absurdas, nas quais minha dignidade e moral ficaram profundamente afetadas, e eu simplesmente não conseguí reagir. Fiquei quieta, emudecida. Voltando à minha terapia e conversas diárias com minhas amigas, reparei na quantidade de absurdos que aconteceram ao longo desse 1 ano em que eu tomei o remédio e me dei conta de que era hora de parar (o psiquiatra já tinha me dado alta havia uns 2 meses, mas me deu receita pro caso de eu precisar), principalmente porque a minha filha foi muito afetada em uma série de situações e ao invés de contar com a mãe dela, contou com um espantalho mudo e apático. 

Acho que eu acabei confundindo as coisas e atribuí à depressão pós-parto. Tentei calar com remédios algo que ardia dentro de mim, que berrava desesperadamente por liberdade. Tomei remédio pra suportar coisas que eu não deveria, que eu não queria. Tudo em prol de um ideal que no final das contas não valeu a pena. Achei que agindo desse jeito, estaria ajudando a Aurora, mas percebí que foi justamente o contrário:  minha filha só saiu perdendo com isso. 

Agora eu tô aqui, juntando os ossos e tentando dar vida ao que antes era a minha carne. Aprendendo a usar toda a minha raiva de volta, a ficar mais brava, menos polida e menos contida. Estou dando vazão aos sentimentos, aos uivos loucos e à intolerância com quem ousar ferir a mim e à minha cria novamente. Isso é como eu nunca deveria ter deixado de ser, é o grito que eu me arrependo amargamente de ter calado e que não vou mais permitir que censurem.

2 comentários:

Lorraine disse...

ela diz:

"Embora algumas pessoas preferissem que você se comportasse e
não demonstrasse alegria exagerada ao dar as boas-vindas a alguém, faça-o de qualquer jeito. Haverá quem se afaste de você com medo ou repulsa. A pessoa amada irá, porém, valorizar esse seu novo aspecto — se ele ou ela for a pessoa certa para você"

beijos

kelly disse...

Vc sabe que to aqui torcendo! Fé, menina! Sobre tdo em vc...