segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Das virtudes de ser mae

(entao que eu to na praia usando a internet 3G do meu padrasto num notebook jurássico que é do tamanho da minha TV e eu nao sei onde ficam os acentos, entao relevem por obséquio os erros grosseiros de digitaçao)

Esses dias eu tava lendo o livro Besame Mucho (disponivel para download em algum lugar que eu ainda nao consegui achar, mas se vc nao conseguir me deixa um comentario com o seu e-mail que eu te mando) e o Carlos González fala uma coisa muito importante sobre a educaçao das crianças, que é o fato de que quando eles forem adolescentes, passarao a ser tao ou mais fortes que a gente, ou seja, capazes de revidar uma palmada, entao ele fala que é necessário começar desde já a treinar e descobrir um modo de faze-los nos obedecer.

Entao que eu tava pensando que foi exatamente isso o que aconteceu comigo. Eu era a pessoa mais ansiosa e impaciente do mundo, e fiz escolhas sobre a maternagem que considero o caminho mais difícil que o comum hoje em dia: nao quis ter baba, nao quis dar mamadeira nem chupeta, escolhi usar fraldas de pano, fazer cama compartilhada e outros, e pra bancar esse tipo de maternidade, precisei aprender a ter paciencia. O primeiro desafio foi a amamentacao. Ficar 2h com a bunda grudada no sofa e com um bebe pendurado exigem altas doses de saco, mesmo. Colocar pra dormir, ídem (acho que todo mundo que nao tem baba ou avós por perto sabem a novela de colocar a criança pra dormir e ela acordar assim que se tira do colo), e isso tudo foi me irritando ao ponto de eu querer sair correndo e fugir. Confesso, nao sao sentimentos nobres, mas acho que todo mundo ja sentiu isso em relacao ao proprio filho pelo menos uma vez na vida. Lembro das meninas da GPM falando que era fase, que ia passar, mas pra mim parecia que aquele calvário (e era exatamente isso que eu achava que a maternidade era) nunca ía acabar. Vendo isso, e na iminencia de jogar minha filha pela janela (brincadeira tá gente? eu nunca faria isso! é só figura de linguagem ok?), decidi que pra levar a cabo a minha ideologia acerca da maternagem, quem precisava sem ensinada era eu, e nao o meu bebe. Ela nao precisava aprender a dormir a noite inteira nem a mamar de 3 em 3h. Era eu quem precisava encontrar meio de ter paciencia pra amamentá-la durante quanto tempo ela quizesse, independente do intervalo, era eu quem precisava aprender a faze-la dormir de forma que ela nao despertasse e era eu quem precisava controlar a minha ansiedade ao invés de enfiar um pedaço de plástico na boca dela (vulgo chupeta) a cada crise de choro.

Aí, olhando pra trás, agora eu me dou conta do quanto é fácil a gente simplesmente achar que o problema é da criança, e nao nosso. É fácil dizer que a criança tem insonia infantil (por incrivel que pareca, ainda tem medicos que dao esse diagnostico) e por isso enxe-la de remédios pra dormir ao inves de admitir que vc tá  de saco cheio de acordar a cada 1h de madrugada. É super mais fácil colocar uma chupeta ao invés de tentar descobrir qual o problema da criança. É mais cômodo deixar chorando no berço "pq faz bem pros pulmoes" do que ter o trabalho de ficar acordando de madrugada e dando mamá. É mais rápido dar a mamadeira que enxe o bucho e faz a criança dormir a noite inteira do que amamentar e ter que estar disponível o dia inteiro, afinal de contas a mamadeira qualquer um dá, o peito é só voce quem tem.

E é com essas justificativas toscas, de que o problema é da criança e nao do adulto que nao tem paciencia, que a gente vai acobertando um monte de impropérios e maldades: aí escrevem-se livros tipo o último "tapa na bunda"dizendo que tem que se bater pra colocar limites, diz-se que a criança só quer comer besteiras e esquece-se que quem oferece as besteiras somos nós, que muitas vezes o fazemos por falta de paciencia de esperar a criança comer ou por esperar passar algumas fases de inapetencia. Somos nós quem nao as incentivamos a comer sozinhas porque faz sugeira, que nao as deixamos escovar os dentes sós porque dá trabalho, quem nao as respeitamos quando ainda nao estao preparadas para o desfralde e, no fim das contas, as culpamos e castigamos por nao fazerem o que queremos, como se a crianca tivesse a obrigacao de nos satisfazer e de ser bem comportada.

Quem tinha que fazer terapias, tomar remédios e controlar o imediatismo e a ansiedade, somos nós pais, ao invés de darmos desculpas esfarrapadas e jogar tudo pra cima da criança! Afinal de contas, somos nós os adultos capazes de lidar com as frutraçoes, e nao os pequenos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O comércio da humanização - parte II

Cara, acho que eu não me expliquei direito, portanto, vim aqui deixar claros alguns pontos:

- Não acho de forma alguma que profissional nenhum deva trabalhar de graça. Mas também acho que se você diz que é um profissional humanizado, você lida com pessoas e não com contra-cheques, por isso você não deixa a sua gestante com a cerclagem por medo dela parir no consultório e não ter dinheiro pra pagar. Há várias formas de se facilitar o pagamento, parcelar e etc. Agora, querer que todo mundo tenha 5000 pra pagar num parto a vista, é no mínimo utópico.

- Quando eu disse "toula", me referí à algumas doulas que se aproveitam do momento de fragilidade e usam a capa da humanização pra lucrar sem fazer o que uma doula deve fazer, que é, antes de dar presentes, informar a gestante e apoia-la durante o processo de empoderamento. Disse "toula" assim como digo "bobstetra" ou "obstreta" pra GOs cesaristas.

- Meu ponto não foi discutir se a doula deve dar kit ou não pra gestante, e sim que a doula deve oferecer um serviço que inclua ajudar a gestante no seu empoderamento, e não somente em distribuir toucas, camisetas ou o que for.

- Acho que 500 reais pro serviço que uma doula oferece é até pouco dinheiro a pagar. Deveriam receber bem mais que isso, assim como os profissionais humanizados que ficam a disposição durante horas a fio pra uma única gestante merecem cada centavo, e ainda mais. O que eu não concordo é fazer maketing pessoal em cima de um ideal, usar a humanização pra aparecer e se achar a última coca-cola do deserto.

- Só porque um profissional é humanizado, não significa que ele tenha que fazer filantropia. Mas também acho que não ir atender a gestante porque tá na praia é o cúmulo do descaso.

A Aláya resumiu bem o que eu queria dizer:
" A culpa das tragédias obstétricas no brasil, dos partos roubados, certamente não é do "povo da humanização", MAS porque não poderíamos questionar quem usa o discurso da humanização apenas para lucrar com isso? Quem não vestiu a camiseta e transformou isso em um marketing, em uma fonte de propaganda pessoal. É claro que humanização não é filantropia, mas não precisamos transforma-la na filial do McDonnalds.
Lucrar com um trabalho digno é algo válido. Mas lucrar em cima de um momento de fragilidade, lucrar com a insegurança e ignorância alheia, se aproveitar dos outros só pra faturar, ai eu acho feio sim."



No mais, beijos pra quem fica, porque eu tô indo viajar e volto daqui há 30 dias. Não vou ter acesso à internet, então, bom natal e um feliz ano novo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O comércio da humanização

Enganaíltons, toulas, parteiras que viajam na hora P, médicos humanizados que deixam a paciente desassistida porque não vão sair do litoral pra ir pra cidade, doulas que acompanham cesáreas eletivas, casas de parto com médicos cesaristas e etc. O "mercado" da humanização se transformou em algo altamente rentável. Reclamam e condenam os cesaristas, mas fazem igual (ou pior) sempre que tem a oportunidade.

Dia desses eu fiquei chocada com uma doula que fez um "kit" pra gestante com direito a toalha, óleo de massagem, creme e tudo o mais, claro que tudo devidamente etiquetado e com propaganda da mesma. Os relatos dos partos que ela acompanha estão recheados da cara dela nas fotos, dela dando beijo na barriga da mãe, dela com o bebê, dela, dela, dela, dela. Enfim, é tanta ELA que a gente se pergunta quem é a protagonista dos partos que ela acompanha. 

Os médicos "humanizados" não fogem à regra: querem o seu suado dinheirinho. Gente, nem vou entrar no mérito de que todo mundo precisa ser pago e etc, que as pessoas tem contas a pagar, filhos a sustentar e barrigas a encher, mas também dia desses eu fiquei chocadissíma com um médico que não queria tirar a cerclagem (é quando a paciente necessita levar pontos no colo do útero porque tem dilatação prematura) da gestante pois a mesma poderia entrar em trabalho de parto e não ía ter seu bebê com o tal do médico por motivos financeiros. O médico em questão ainda teve a cara de pau de dizer "mas e daí, como eu fico se você entrar em trabalho de parto na hora que eu tirar os pontos e tiver que assistir o seu parto?". Humanizadissímo hein colega? Ainda fica postando menssagens nas listas de apoio querendo confete e enxendo a boca pra dizer que é humanizado. Claro, humanizado desde que você possa pagar (muito caro), caso contrário, sem negociações.

A humanização do nascimento pra mim responde à outros interesses: o protagonismo da mulher e um nascimento digno e respeitoso pra criança. Já ví um sem número de ótimos profissionais (os melhores do brasil, no meu humilde julgamento) dividindo os valores do parto, aceitando trabalhos como pagamento e alguns até assistindo partos de graça, tudo em prol de mulheres que queriam sim parir com dignidade, mas que não conseguiam pagar os exorbitantes valores que alguns profissinais cobram. Eu mesma, quando grávida, gastei o dinheiro que eu iria pagar no parto domiciliar indo ficar num hotel em BH pra esperar a Aurora nascer na melhor maternidade do estado de minas (pelo SUS, por incrível que pareça), e por tanto, não tinha mais dinheiro pra nada. Minha querida amiga e doula, que me acompanhou a gestação inteira, me confortou, acalentou e orientou, se ofereceu pra ir da cidade dela (Divinópolis, há 1h de distância mais ou menos) pra acompanhar o meu parto, DE GRAÇA. Justo porque sabia da minha situação e sabia que eu não poderia pagar. Outras meninas, também doulas, se voluntariam pra acompanhar gestantes que não tem uma renda alta. ISSO pra mim é humanização! É dar pra mulher o que é dela, é parcelar valores, diminuir custos, negociar e tornar o parto respeitoso acessível a todas, e não somente àquelas que podem desembolsar 2500 reais. Toda mulher merece parir dignamente!

No mais, eu queria deixar aqui pras gestantes que acompanham o blog (nem sei se tem alguma, pq não tenho nem noção de quem me visita) que procurem referências dos profissionais que vcs vão contratar! Leiam relatos, fucem na internet, escavem mesmo o passado do profissional. Façam um contrato (sim, porque a doula e a parteira são profissionais como quaisquer outros, e é melhor se garantir através de um contrato do que ficar chupando dedo na hora P), entrem em listas de apoio, conversem com amigas, enfim, puxem o histórico daquele profissional, porque tem muito médico por aí vestindo a pele da humanização pra na hora P te fazer uma bonita cesárea por "falta de dilatação" ou qualquer motivo tosco desses. Incluo aí as doulas. Não aceitem ser douladas por profissionais que acompanham cesáreas eletivas (aquela cesárea sem indicação médica, que é feita a pedido da mãe ou por vontade do médico) ou que atendem em hospitais que não tem uma infraestrutura legal pra gestante e pro bebê. É dever da doula (e direito da gestante) orientar sobre os melhores lugares, os profissionais mais bacanas e os melhores cuidados com a criança. E isso minha gente, esse cuidado com você e com a sua cria, toalha bordada nenhuma vai pagar!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O peito sem conflitos - Carlos González


Esse trecho eu retirei do livro Mi Niño No Me Come, que tá disponível pra baixar em espanhol aqui. Faz parte da série "Amamentação: o que sua mãe não te contou"
Se quiser pode copiar, mas coloca embaixo quem traduziu ;)


Um conselho muito claro
Como quase todos os problemas, os conflitos com as crianças em torno da comida são muito mais fáceis de prevenir do que de tratar. O título e o conteúdo deste livro dificilmente atraem a atenção das mulheres grávidas, ou dos pais de crianças pequenas que comem. A maioria dos meus leitores (ou deveria dizer leitoras?) serão mães desesperadas porque seu filho "não come" há meses.
Mas não perco a esperança. Na melhor hipótese você está grávida, ou seu filho ainda é pequeno, e este livro lhe foi emprestado ou recomendado por uma amiga ou cunhada que passou por ele. Ou talvez pensa em ter outro filho e gostaria de não ter que passar pelo mesmo.
Esta seção contém, portanto, alguns conselhos sobre como dar de comer ao seu filho sem que surjam conflitos.

Não obrigue seu filho a comer.
Não o obrigue jamais, por nenhum método, sob nenhuma circunstância, por nenhum motivo.
 Este conselho só ocupa duas linhas, e poderia você pensar que é pouca coisa pelo que pagou pelo livro. Assim, me extenderei um pouco mais. Entretando, todo o mais é acessório, se em algum momento se perder nas minhas divagações, volte a este conselho.

Confie no seu filho
Veltemos ao principal. Após nove meses de espera, tens por fim nos braços o seu bebê. Não se mova! Ainda que alguns tenham se empenhado em tentar te convencer do contrário, nos teus braços é o melhor lugar pra ele.
Para não ter conflitos desde o princípio, o principal é confiar em seu filho. Seu filho sabe se tem fome, o relógio não. A maioria dos bebês mamam entre oito e doze vezes ao dia, irregularmente destribuídas. Devem demorar em cada peito 15 a 20 min na primeiras semanas, enquanto aprendem, mas pelos quatro meses começam a mamar muito rápido, em 5 ou 7 min ou talvez menos. Isto é o que diz a maioria, sempre tem algum que bate record, por mais ou por menos. Se dá o peito quando ele pede e o deixa o tempo que quiser, seu filho sempre terá o leite que precisa.

O peito se dá em livre demanda
No outro capítulo explicamos porque. Lembrará que os bebês dificilmente mamam com um horário regular, porque é precisamente a variação do horário que os permite modificar a composição do leite para que se adapte às suas necessidades.
Dizem que nossa civilização tem medo da liberdade; e talvez por isso muita gente acaba não aceitando isso de amamentar a demanda (do bebê), e tenta colocar limites. O triste é que as vezes os colocam com tanta sutileza que parece que dizem o mesmo, mas não é o mesmo. Por exemplo, os seguintes erros típicos:
"Dá o peito à demanda, ou seja, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde do que quartro."
Isso não é livre demanda! Isso é um horário flexível, e menos rígido, mas não é livre demanda. Por que não vai poder mamar antes de duas horas e meia? Nunca lhe ocorreu de acabar de comer, encontrar uma amiga na rua e entrar em algum lugar pra tomar café? Ou por acaso você disse a sua amiga: "Tome seu café se quiser, que te farei companhia; mas é que só faz meia hora que comi, e não volto a comer até as cinco"?

"Nas primeiras semanas é recomendável dar o peito em livre demanda, mas logo seu filho entrará num ritmo próprio"
Nem todos os bebês tem um ritmo. E entre os que tem, muito poucos seguem o ritmo de marcha militar que a frase sugere (nem a cada duas horas, nem a cada três, nem quatro). É mais fácil que o ritmo escolhido seja o "chá chá chá": várias mamadas muito seguidas, outras mais espaçadas, alguma pausa mais longe... O ritmo da lactância se manifesta, quando existe, um dia sim, o outro não: se Laura começa a mamar muito seguido pelas manhãs e dormir uma boa soneca pela tarde, é provável que amanhã volte a fazer o mesmo. Mas também pode ser que se surpreenda, e isso é o bonito de ter filhos. São pessoas, não robôs.

"Procure ir espaçando entre cada mamada"
Isso tampouco é livre demanda. Porque tem gente tão obcecada em separar as mamadas? Se seu filho quer mamar, e você quer dar o peito, porque alguém tem que se meter a controlar? Há de lhe falar também entre beijo e beijo? Você gostaria que os espaçassem entre domingo e domingo, ou entre viagens e viagens? Talvez os empresários seriam muito felizes com um domingo a cada dez dias, pagando um salário a cada quarenta e três dias e dando um mês de férias a cada um ano e meio; mas nem lhes ocorre propor isso. Pois bem, seu filho responderia com a mesma indignação se pudesse falar e entendesse o que significa "espaçar as mamadas".

(continua)

Gente, o autor deixa bem claro o livro inteiro o quão prejudicial é dar chupetas e mamadeiras pras crianças.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Amamentação: o que a sua mãe não te contou

Hoje lí na GPM (Gravidez, parto e maternidade) um post pontualissimo da Juliana Beaup em que ela dizia assim:
""Preciso explicar que embora nos tenhamos uma boa taxa de aleitamento e campanhas em massa, somos mega machistas???? Que aqui apesar de tudo, uma grande maioria caga e anda pro que o vizinho esta fazendo?
Eu aleito sim, como e quando quero... nao compactuo com quem pensa pequeno e nao me podo por causa disso, correto é dar exemplo de maternidade sadia, nao se esconder como se tivesse fazendo algo errado ou pra transformar um momento natural em algo mitificado.....nao é à toa que cada vez mais enfrentamos dificuldades pra aleitar, vai aleitar como se nunca viu ninguem fazendo? Vai entender como que um bebe fica horas e horas no seio se o unico exemplo visto por ai sao as mamadeiras de tres em tres horas? Vai achar que aleitamento é bom como vendo mulheres se escondendo ou deixando de sair pra nao se expor? "

Daí eu fiquei pensando nessa última parte e ví o quanto eu achava a amamentação um conto de fadas, mi mi mi, achei que fosse fácil, que era igual na tv e tudo o mais, sendo que a amamentação real só não foi uma catástrofe justamente por conta das meninas da GPM, e resolví vir aqui dizer algumas coisas que são normais durante o período do aleitamento mas que ninguém te conta.

- É normal o bebê mamar por horas. 
Tem dias em que o bebê vai ficar pendurado em você por 40min, 2h ou até mais. A Aurora, por exemplo, mamava durante uns 40 min por vez. Muita gente chama isso de "chupeitar", mas na real não é, porque continua saindo leite na boca do bebê, só que num fluxo menor.

- Tem dias em que o bebê vai ficar pendurado em você por mais do que duas horas seguidas.
É o famoso "pico de crescimento", que vem pra todos! Nessas horas a gente costuma achar que não tem leite o suficiente, que o bebê tá com fome e uma série de asneiras, mas na verdade não é isso.

- Vai parecer que a sua vida acabou.
É, no começo a gente se sente meio escrava, fica naquelas de "meu deus, não consigo mais nem fazer cocô em paz" e tal, que é bem verdade, mas passa amiga! Passa! Aproveita esse tempo em que o bebê vai ficar grudado em você pra ver umas séries, ler uns livros e exercitar a paciência.

- Bebê não mamam de 3 em 3h.
Isso é mentira! Se a sua vizinha disse que o filho dela mama só de 3 em 3h, se a sua cunhada disse isso, a sua mãe, sua sogra ou sua melhor amiga, acredite, elas estão mentindo! São raras as crianças que acompanham esse ritmo, porque criança não é robô. Alguns mamam mais espaçadamente, outros mamam um pouquinho de cada vez, enfim, cada criança tem o seu ritmo e é perfeitamente normal se o seu filho quiser mamar a cada 30 min.

- Bebês que tomam mamadeira engordam mais.
Isso está descrito em alguns artigos científicos e no livro do Dr. Carlos González - Mi Niño no me come (disponível para download aqui). Bebês de mamadeira tem um ritmo de crescimento mais acelerado do que os bebês de peito, que tendem a engordar um pouco menos a cada mês, entretanto, crianças aleitadas exclusivamente tem diminuída sensivelmente a chance de desenvolver diabetes e obesidade infantil. Por isso, se sua vizinha tem um bebê que engorda 1,5kg por mês e o seu só engorda 400g, acredite, o seu está muito mais saudável.

- É normal um bebê que mama no peito acordar de noite algumas vezes pra se alimentar.
O leite materno é rico em gorduras, imunoglobulinas (a famosa "imunidade) e uma série de outras coisas, entretanto, é muito mais digestivo do que o leite de vaca, ou seja, bebês que tomam mamadeira tendem a capotar justamente pq o leite artificial é muito mais gorduroso que o materno. É como se você estivesse dando uma feijoada pra pobre criança, que acaba tendo uma congestão e dorme a noite toda. Não preciso nem falar das farinhas tipo Nestogeno e etc né?  Pra você ter uma noção, a Aurora acorda umas 3x, e tem 1 ano e 2 meses.

(continua)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Publicidade infantil e o maldito capetalismo

Sem nem entrar no mérito das propagandas e comerciais absurdos que passam na TV com milhões de produtos pra crianças (por essas e outras que Aurora não vai assistir televisão por um bom tempo, pelo menos enquanto eu puder decidir por ela),esses dias tenho notado que o buraco é BEM mais embaixo.

Outro dia eu tava passeando com a Aurora na praça e começei a reparar numas coisas... Tem um pipoqueiro (vários, pq eles se revezam) que tá na bendita praça todo santo dia. E todo dia, além das pipocas, ele trás algodão doce, alguns balões, bolas, balas e doces diversos. Eu nunca tinha reparado nisso até minha filha ser o alvo. É fato, se uma criança compra alguma coisa, as outras instantâneamente vão querer! E como negar algo pra uma criança de 1 ano e 2 meses sem chororô e pirraça? I M P O S S Í V E L! Fato é que o maldito pipoqueiro coloca as malditas balas coloridas e chamativa num banco pequeno, bem na altura das mãozinhas gordinhas e desajeitadas da Aurora, e ela quer porque quer mexer naquilo, e ai de mim se tiro dela! Outro dia ela derrubou a caixa com as balas e eu até pensei que tinha estragado. Nessa hora pensei na minha carteira e no quanto de dinheiro eu não tinha dentro dela e cheguei a uma conclusão óbvia: se ela estragar algo, eu não vou pagar! Não vou pagar porque aquela merda daquela bala não deveria estar no meio de uma praça pública, atrapalhando o caminho e causando confusão nas pobres famílias universitárias que por lá transitam! hehehehe

Agora falando sério, garrei num ódio daquele pipoqueiro que só jesus na causa pra acudir, porque porra, é tudo feito de propósito pra criança querer e vc ser obrigado a gastar um dinheiro que as vezes você nem tem. E o pior é que muitas vezes se você não dá, a criança se sente menas: menas amada, menas rycah, menas bonita e outras infinidades. O olhar dos outros pais sobre você é mortal: te olham assim, sabe como? Daquele jeitinho de "nossa, que pobre! coitada da criança". Se são os avós então, NOOOOOOSSSSSSAAAAA! Outro dia teve avô oferecendo pipoca pra Aurora porque ficou com pena. Sério, eu aguento isso? Eu até tinha dinheiro pra maldita da pipoca, mas como tava perto da hora do jantar, não comprei, daí veio o bentido velinho com dó e dá o trem pra guria. Fiz cara de bunda, agradeci e fui embora antes que ela roubasse o saquinho de pipocas da guriazinha.

Enfim, me emputece muito ser forçada a comprar algo que eu não quero! Me deixa com sanguenozói sair do conforto do meu lar e não poder passear na rua sem ser assaltada por uma série de produtos que não vão durar nem 3min na mão de uma criança e que, no final das contas, vão causar a maior confusão, pq né, se eu não deixo ela mexer, ela chora, e chora e chora e continua chorando. Um inferno! Mas eu me recuso a ceder! Me recuso a comprar 380918391083091 bolas, balas (que na real ela nem come, pq tem muito açúcar e mimimi) e brinquedos que vão ser esquecidos em questão de segundos.

sábado, 29 de outubro de 2011

Das comidas infantis

Daí que você, que tinha um lindo bebêzinho comilão que devorava um talo de brócolis sem sal de repente se vê diante de uma criaturinha inapetente, resmungona e com o paladar seletivo.
O que você faz?

a) espera passar
b) dá danoninho
c) sucumbe aos enlatados
d) senta e chora
e) toma como ofensa pessoal à sua comida e vai a luta


Então que agora eu decidi que se a Aurora já tem idade o suficiente pra assistir uma performance de travesti (comento depois), ela já tem idade o suficiente pra que o paladar dela esteja se refinando. Logo, resolví desenterrar os meus livros de culinária e vou partir pro ataque. Cardápio de hoje: torta de cenoura com beterraba, hamburguer assado de lentilhas, suco de maracujá e arroz. Veremos se a criatura continuará inapetente! MWAHAHAHAHA (risada diabólica)
Ontem consultando os universitários (vulgo mamãe) a brilhante solução dela foi pra colocar um açúcar e pans pq as comidas que eu faço são muito "insosas". É mãe, daí quando ela tiver seis anos vai comer só arroz com salsicha, igual a mãe dela! ¬¬

Mas agora falando sério, essa coisa de creche tá sendo o fim pra ela tadinha. Todo mês ela gripa, e essa semana, além da gripe, um dente resolveu nascer, daí fudeu a porra toda e ela não quer comer e eu, como boa mãe neurótica que sou, estou de cabelos em pé, e como não consigo ficar de mãos atadas, vou tentar fazer umas comidinhas mais refinadas. Tô aqui torcendo pra dar certo! Tudo começou com uma greve de frutas e a Aurora só querendo biscoito (pq via as kiança da creche comendo e ficou com invejinha), daí desandou tudo e agora eu tô pelejando pra consertar.
Se rolar, posto as receitas aqui!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resenha: É uma menina!!! Como desenvolver a auto-estima de nossas filhas

 É uma menina! Como desenvolver a auto-estima de nossas filhas - de Virginia Beane Rutter


Esqueça todas as babaquices que você leu sobre a criação de bebês e, por favor, compre este livro AGORA! Sério, é o melhor livro sobre meninas que eu já lí na minha vida, e serve tanto para você fazer com crianças, como com adultos. Estou me deliciando a cada página! 

O livro é bem curtinho (142 páginas), relativamente acessível em questões de preço (olha, pelo conteúdo dele, eu juro que podiam cobrar umas 50 pilas que eu pagava feliz) e gostoso de ler. A autora dá dicas reais e aplicáveis de como lidar com "as meninas de nossas vidas", para ajudá-las a desenvolver suas auto-estimas no mundo de hoje, onde são bombardeadas por estereótipos femininos toscos, vulgares e exageradamente magros. Ensina a estimular a imaginação, o talento e o que mais for de interesse de sua filha (mesmo que seja algo que você não está familiarizado). O que me encantou de cara no livro foi ela começar falando da importância dos rituais nas tradições femininas, da importância de simples atos como celebrar a primeira menstruação, as estações do ano e as passagens naturais da vida da menina, como entrar no jardim de infância, a perda dos dentes de leite e outros. Vou copiar aqui um trechinho só pra deixar vocês com água na boca:

"(...) Temos de ensinar nossas filhas o que o que acontece em seu corpo também acontece em sua mente. Desde os primórdios da histórias, diferentes culturas criaram cerimônias para marcar a passagem de um estágio da vida para o outro; a cerimônia supre a necessidade emocional e de amadurecimento do indivíduo, e a necessidade cultural do grupo. Cada transição na vida de uma garota ou mulher - da puberdade à menopausa - representa um acontecimento físico importantissímo, afetando sua mente e sua alma. Portanto, faz sentido que cada passo do desenvolvimento ou da transição saudáveis de uma mulher exija uma resposta que confirme seu significado. As cerimônias definem o significado e a celebração da feminilidade de uma garota e aumenta sua auto-estima. 


(...) Para educar uma menina de forma a honrar a qualidade sagrada do ser feminino é preciso que haja intimidade entre mãe e filha. Porém, nossa sociedade é tão agitada, tão concentrada em realizações e bens materiais, que frequentemente não sabemos como encontrar um tempo de quietude e de descanso para nos dedicarmos a nós mesmas e a nossas filhas. (...) A auto-estima é construída sobre a fundação de uma forte vida interna; uma menina que possui uma vigorosa noção de quem é e de suas convicções não cederá às pressões de colegas destrutivos. Você também deve reservar algum tempo para esse tipo de aprendizado. As meninas necessitam de períodos cíclicos de solidão e introversão para seu bem-estar emocional e mental. E, quando começam a menstruar, o corpo passa a exigir uma atitude mensal de recolhimento.
(...) Mães e filhas também necessitam de tempo para estarem juntas, de preferência diariamente, quando reforçamos os sentimentos e os pensamentos de nossas garotas, as ajudamos a compreender a si mesmas e as ensinamos a assumir sua identidade feminina com segurança em um mundo ainda dominado pelos homens. Ao analisarmos os momentos de intimidade que compartilhamos, podemos passar a identificar e marcar o desenvolvimento de nossas filhas com atos que ajudem a consagrar as situações importantes, tornando seu significado duradouro. Isso possibilita a definição da menina para si mesma e para aqueles que a cercam, e permite que ela passe a próximo estágio ou desafio com energia e autoconfiança renovadas. "

Eu poderia transcrever o livro inteiro, pois ele é excelente. É o tipo do livro que você lê bem devagar pq sabe que quando acabar, vai rolar uma dor no coração! Mas tá, não tem problema, eu vou ler de novo.

Quando eu soube que estava esperando uma menina, fiquei tão, mas tão triste. Triste porque sabia de todo o preconceito, discriminação, violência e abuso a que uma mulher está sujeita nessa sociedade machista e hipócrita em que a gente vive. Mas depois de ler esse livro (e o "A maternidade e o encontro com a própria sombra - Laura Gutman) me sinto um pouco mais segura nessa minha jornada de ensinar (e aprender) a ser mulher, me sinto mais confortável e preparada pra encarar os desafios e as pedras no caminho que eu sei que vão rolar. 

O livro é de uma sensibilidade tão gostosa, que até sobre a importância de pentear os cabelos de sua menina a autora fala! Fiquei até emocionada quando lí (e olha que eu sou viking hein?!). Ela ressalta o tempo inteiro a importância de ser feminina, o que não tem nada haver com ser passiva, subserviente e omissa. Também fala muito sobre como é importante a tradição oral das mulheres, de contar histórias com personagens principais femininos pra que possa haver uma identificação e também sobre como a história da humanidade é contata por homens e para homens, tentando assim resgatar sempre as tradições de mãe e filhas. É um livro feminino, mas sem deixar de ser, de certa forma, um pouco feminista.

Se você é avó, tia, madrasta, madrinha ou se tem alguma menina em sua vida que lhe é importante, eu mais do que recomendo que você compre! 

O meu minha mãe comprou na Livraria Travessa, no Rio de Janeiro, mas também tem na Nobel e em alguns sites pela internet. :)

Boa leitura! 

domingo, 23 de outubro de 2011

Orgulho Hetero


Daí que sexta eu fui numa palestra sobre Feminismo e identida de gênero no movimento GLBT na faculdade e fiquei cá matutando com os meus botões. Acho que não é novidade pra ninguém que eu curto ficar com mulher. Por mais que eu esteja casada e ame o meu marido de paixão e não tenha a mínima intenção de trocá-lo ou traí-lo com quem quer que seja (independente do gênero), posso dizer com quase certeza que eu vou morrer bisexual. Dito isso e passados os choques iniciais (que eu espero que sejam poucos, visto que se você está aqui no meu blog, presumo que você seja no mínimo uma pessoa mais mente aberta), eu já namorei meninas. Namorei e fazia questão de andar na rua de mão dada, de beijar em público e isso pra mim nunca foi um problema. Minha mãe (na época eu era adolescente) sabia e minha namorada frequentava a minha casa numa boa. Já briguei muito em festa e com "amigos" por conta de piadinhas preconceituosas e, principalmente, por gente querendo que eu desse "show" na rua e pedindo pra "entrar no meio", como se necessariamente duas mulheres precisassem de um pinto no meio. Enfim, já sofrí vários tipos de preconceitos e já presenciei situações deveras desagradáveis e humilhantes.

Daí que todo homosexual já sofreu preconceito. T O D O S! Acontece diariamente, na rua, em casa, dentro da própria família. Imagine você ir à padaria e não poder dar as mãos pra pessoa que você ama por medo de levar porra (e todos nós sabemos que isso acontece com mais frequência do que nos orgulhamos)? Pense o quanto seria frustrante ir ao cinema e não poder trocar beijos, abraços e andar de mãos dados por medo de ser expulso do lugar? Ou então ir à um bar e ser pedido pra se retirar pq alí é um "ambiente família" e as pessoas estão desconfortáveis em ver duas mulheres (ou homens) trocando carinhos? Todas essas são situações que eu presenciei e viví na pele, e me orgulho muito disso.

O que me mata é ver um bando de gente babaca (pq né, pra fazer esse tipo de coisa só sendo muito babaca) bater no peito e dizer que tem orgulho de ser hetero. Orgulho de quê, cara pálida? Orgulho de poder andar na rua despreocupado, de poder curtir tranquilo com a gatinha na praia ou no boteco, de não ter que brigar na justiça por anos pra poder adotar uma criança ou mesmo incluir o nome do seu parceiro na certidão de nascimento do seu filho, de poder entrar na UTI ou receber a herança do seu conjuge quando ele falecer? De não ter que precisar mover mundos e fundos pra ser quem você é? De não ter que "assumir" pra sua família que você é hetero? Quer dizer, porque é que vc deveria se orgulhar mesmo? Por fazer parte de uma maioria esmagadora que controla os padrões da sociedade?

Toda vez que eu vejo um homosexual, eu me orgulho sim. Tenho orgulho dos meus amigos que enfrentaram a família inteira pra poder ser aceito ao lado da pessoa que ama, tenho orgulho de uma amiga minha que processou o próprio tio por conta de piadas homofóbicas, morro de orgulho quando vejo um casal homo andando de mãos dadas na rua e, acima de tudo, morro de orgulho das pessoas assumirem exatamente o que elas são, pois pra isso é preciso uma dose de coragem que a maioria dos heteros que participam desse tipo de evento nunca na vida vão saber nem o sabor.

Só sabe a delícia e a dor de ser o que se é quem não tem vergonha de bater no peito e gritar pro mundo: EU SOU ASSIM!

sábado, 22 de outubro de 2011

proseando

eu: - blá blá blá blá blá blá (ad infinitum no ouvido do luciano). Amor, vc me acha feminista?
lu: - nãooooooo, imagina! se eu falo "preciso ir ao banheiro primeiro" vc me solta um "pq? vc acha que é mais importante do que eu pq tem um pirú?". Vira e mexe se eu solto um peito vc me vira e diz "seu machista, se eu fizer isso vc vai me achar nogenta, que isso é um comportamento inaceitável pra uma mulher e mimimimi ad infinitum".
eu: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk jura? nem é tanto assim vai! :)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Documentário: A Indústria de Fórmulas Infantis

Reportagem de TV Australiana, realizada em 1989, sobre calamidade de desnutrição infantil, na Ásia, causada pela dieta única de leite em pó para crianças pobres, que vivem em péssimas condições de higiene e saneamento básico.

domingo, 16 de outubro de 2011

Aliados da mãe que amamenta - parte II

(continuando)

Copinho de cachaça
É, de novo, você leu certo! Como eu já disse, a mamadeira pode causar desmame precoce, então as melhores alternativas são a mamadeira colher e o copo de cachaça. Pra bebês prematuros e/ou que precisam receber complemento, o ideal e oferecer no copinho, pois assim o bebê não vai confundir a pega. Aqui tem um vídeo excelente mostrando como fazer. No começo faz a maior bagunça, mas depois eles pegam o jeito e fica tudo fácil.

Banco de leite
Como eu já disse aqui, o banco de leite é o seu melhor amigo! A melhor coisa é marcar uma visita assim que o seu bebê nascer, pois sem bebê é meio difícil explicar algumas coisas. Lá as enfermeiras vão te orientar, verificar se a pega está correta e te ajudar a aliviar as mamas (nos dois primeiros meses é comum que as mamas fiquem bem cheias e um pouco doloridas). Aqui tem uma relação bem bacana de bancos de leite pelo brasil: http://www.fiocruz.br/redeblh/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=356

Grupo Virtual de Amamentação
Vulgo GVA, foi o que me salvou a amamentação, já que aqui não tem banco de leite. O GVA é um grupo que ajuda as mães com dificuldade na amamentação e dá dicas e orientações, as vezes muito melhores do que as dos pediatras. Foi com elas que eu aprendi a pega correta e outras coisas super importantes. Elas estão no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=52101 e no facebook: http://www.facebook.com/gvamamentacao?ref=ts
O GVA é gerido pela Andréia Mortensen, pediatra famosa que super apóia a amamentação! Quem dera que toda brasileira tivesse acesso a um profissional do calibre de Andréia! Meu sonho de consumo!!!

Picos de crescimento
Em alguns dias tudo o que seu bebêzinho comilão vai querer é ficar pendurado no seu peito. Isso pode demorar alguns minutos ou muitas horas. Nos dias mais intensos, já cheguei a ficar umas 3h com a bunda grudada no sofá amamentando (foi aí que eu descobrí os dvd's). Nessas horas a gente acha que o bebê tá com fome, que o leite não tá sendo suficiente e mi mi mi. Nada disso é verdade. Peito, além de alimento, é a forma que o bebê tem de ficar próximo e aconchegado com a mãe, daí vão ter dias em que ele vai estar mais "carente" e vai te querer bem perto. O slide acima explica bem o que são os picos e quando eles costumam ocorrer.

Remoção gentil do mamilo
Se vc precisar levantar pra ir ao banheiro ou coisa que o valha, a melhor forma de evitar fissuras é introduzir gentilmente o dedo mindinho na lateral da boca do bebê e com isso aliviar a pressão da sucção que ele faz no mamilo. Dessa forma o bebê vai soltar o peito e não vai te machucar. Eu, burra e sem orientação adequada, simplesmente puxava o peito da boca da Aurora quando precisava me levantar, o que me causou mais dores e mais fissuras ainda.

Fechar os ouvidos
Todo mundo tem uma fórmula milagrosa pra amamentar, muitos pediatras ainda orientam as mães a dar mamá de 3 em 3h, 15min em cada mama e outras informações equivocadas. Assim como no parto, quem tem que decidir é você! O filho é seu, o peito é seu e palpite nenhum vale mais do que a sua intuição. Bebês não precisam de água, sucos ou chás até os 6 meses de vida. Mesmo que esteja calor, mesmo que você more no Saara, seu filho só precisa do seu peito! Se ele tiver sede, vai mamar com maior frequência. O correto é amamentar com uma mama de cada vez, fazendo com que o bebê esvazie bem uma mama antes de iniciar outra mamada. Assim você garante que ele mame o leite inicial (leite anterior) que mata a sede e que mame também o leite posterior, que é o que tem maior aporte de calorias e faz o bebê engordar. Ignore solenemente os palpites "bem intencionados" dos outros e siga confiante das suas escolhas. Amamentar é o melhor presente que você pode dar ao seu filho!

Paciência, toneladas de paciência
É, ser mãe é isso. Amamentar não é um comercial de margarina e vai ter horas em que vc vai ficar cansada, com dor, de saco cheio e morrendo de vontade de sair correndo. É, acontece. Somos humanas e a maternidade é muito intensa nesses dois primeiros anos de vida da criança. É normal ter esse tipo de sentimento e vou dizer de uma mãe desesperada pra outra: passa! e passa rápido! Quando a criança começa a comer, fica bem menos dependente da mãe e vc vai poder dar uma escapadinha pra fazer uma unha ou dormir uma horinha. É cansativo e pode ser até meio frustrante, mas te garanto que acordar de madrugada e esterelizar mamadeira, preparar leite em pó e esquentar a água devem ser mais cansativos ainda!
No final das contas, você vai estar exercitando o mamasutra e vai ver o quão prazeiroso é ver o seu bebê virar um tourinho cheio de dobras e vendendo saúde com o alimento que saiu exclusivamente de você!!! Nada no mundo paga essa sensação!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aliados da mãe que amamenta - parte I

Bom, eu já dei algumas dicas aqui de como se preparar pra amamentar. Agora vamos partir pra amamentação de fato. Tendo em mãos o seu bebê e um tubinho de Lansinoh (não ganho pra fazer propaganda, mas bem que podia né?), seguiremos na nossa emp(r)eitada.




Almofada de amamentação
(foto: acervo pessoal)

Acho que nessa foto dá pra ver bem a bendita da almofada. É uma almofada em forma de U que custa os olhos da cara e ainda vai ter gente que vai ter a cara de pau de te dizer que é frescura (como neguinho fez comigo), mas não é. É indispensável que a mãe esteja confortável durante a amamentação. Você vai precisar de um bom apoio pras costas também. Aqui em casa a gente comprou uma poltrona daquelas reclináveis e pans (demos a sorte de achar uma bem barata num brechó) que eu nem usei, mas pra quem quer amamentar num lugar tranquilo e pans, eu recomendo. Essa almofada de amamentação é ótima pois apoia o peso do bebê e serve de descanso pro braço também, assim vc não fica com caimbras durante os 40min-1h que o seu bebê comilão estiver mamando.

DVD's
É, isso mesmo, vc leu certo: DÊ-VÊ-DÊS. A não ser que vc queira passar 40min olhando pra carinha do seu bebê (o que nos primeiros meses é o must e é só o que vc vai querer fazer, mas depois de um tempo vc fica meio entediada), é legal ter algo pra se distrair entre as mamadas. O Lu baixou uma porrada de séries pra mim e a gente ficava assistindo quando a Aurora mamava. Eu também lí (e ainda leio) muitas coisas enquanto ela mama. Filmes também são uma ótima pedida! 

Sutian de amamentação

A menos que vc se amarre um exibicionismo, o sutian de amamentação vai fazer com que vc fique menos pelada quando tiver que dar mamá, além de ser bem mais prático e confortável que o sutian normal. Tem vários modelos (BEGES ¬¬) no mercado. Eu tinha bem uns 4, que até hj eu uso pra ficar em casa. Facilita muito quando a gente tem que amamentar na rua ou mesmo em casa. É uma mão na roda!

Bomba extratora de leite

Essa é a mais revolucionária invenção moderna e a principal aliada das mães que precisam voltar ao trabalho. A primeira bomba que eu comprei era manual, mas doía muito o bico do peito (o meu ficou em carne viva) e as mãos na hora de tirar, daí quando eu voltei a estudar decidimos comprar uma elétrica. É cara, mas vale cada centavo! Se vc fizer as contas, 2 meses de NAN pagam uma bomba e vc ainda continua dando o que há de melhor pro seu bebê: o leite materno. Em meia hora dá pra tirar uns 50ml (isso varia de mulher pra mulher, tem mulher que consegue mais, tem mulher que consegue menos, mas é só pra exemplificar o tanto que é rápido). Se você precisa trabalhar e não quer deixar de amamentar, invista nela! Há alguns sites que alugam essas bombas, caso você não queira comprar. Como eu quero ter outros filhos no futuro, acabei comprando. A melhor marca que eu conheço é a Medela. Essa é uma marca Suiça (se eu não me engano) que tem produtos voltados especificamente pra mães que amamentam. Existem vários modelos de bomba, cada um adequado à quantidade de uso que a mãe faz da bomba. A minha é a Mini Eletric, mas todo mundo fala que a Swing é a melhor. Vale a pena ir na loja e dar uma pesquisada.

Mamadeira Colher
Se você precisar se ausentar ou então precisa voltar a trabalhar e seu bebê ainda não fez 6 meses, o ideal é dar o leite na mamadeira colher. Ela é uma mamadeira e no bico tem uma colher (duh). Essa eu nunca usei pq não precisei e felizmente pude ficar em casa até a Aurora completar 11 meses, mas essa mamadeira é a ideal pra você dar o seu leite pro pequetucho sem correr o risco de haver confusão de bicos (gente, mamadeira PODE causar desmame sim! pro bebê é muito mais fácil tomar uma mamadeira do que mamar, daí a criança vai ficando preguiçosa e isso pode sim levar ao desmame precoce! não é com todos os bebês que acontece, mas pode acontecer com o seu, então é melhor não arriscar!)


(continua)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

15 boas razões para NÃO DAR chupeta ou mamadeira.

15 boas razões para NÃO DAR chupeta ou mamadeira.
Essa lista pode ser considerada uma via de regra para qualquer bebê. Os poucos e raros casos em que a chupeta possa ter justificativa médica não serão contemplados nessa lista, mas podemos discuti-los à parte.

A lista serve para chupetas ortodônticas, para chupetas do Ursinho Pooh, para chupetas flex, para chupeta hiflex para chupetas rox, para chupetas que soltam luzes, para chupetas que acendem no escuro, para chupetas que fazem barulho, para chupetas que giram e também servem para chupetas normais.

Diz-se que a chupeta ajuda a prevenir a Síndrome da Morte Súbita infantil. Mas esses estudos são poucos, ruins, com pouca relevância científica e bastante discutíveis.

Segue:
Por que NÃO dar chupeta para o bebê?

1 - A chupeta causa má respiração. Favorece a respiração bucal e dificulta a respiração nasal; Ela ensina o bebê a respirar errado e isso traz distúrbios a curto, médio e longo prazos.

2 - Prejudicando a respiração nasal e favorecendo a respiração oral, o sono é prejudicado. Fica mais agitado e menos profundo - incluindo alteração de postura, ronco e outros distúrbios que se apresentam.

3 - A arcada dentária fica severamente prejudicada. Compromete, além da apresentação estética dos dentinhos, a mordida - que poderá ficar mais aberta ou também "cruzada".

4 - Se prejudica a arcada e a mordida, o mastigar e engolir também ficam prejudicados. Isso também trará uma má educação alimentar.

4 - Pela alteração na arcada, a fala fica comprometida.

5 - Devido a essa alteração na dentição e devido ao uso incorreto da musculatura facial, um crescimento ósseo desarmonioso é estimulado e isso causa modificações faciais.

6 - A chupeta causa flacidez da bochecha, dos lábios, da língua e da musculatura da face. O bebê tende a ficar mais tempo com a boca aberta e exposta.

7 - A chupeta favorece o desmame precoce pois altera o posicionamento da boca em relação ao seio, uma vez que a troca de bicos cause confusão. Um bebê que recuse o peito está mais exposto a doenças do trato respiratório, a alergias e a várias outras doenças.

8 - A chupeta favorece o desmame precoce pois altera os efeitos do reflexo, distribuindo força maior ou menor na sucção, causando eventuais vômitos e engasgos para o bebê, ou, no caso mais comum de sucção enfraquecida, alimentação insuficiente. (A mãe também pode desenvolver dor ao amamentar, o que também contribui para o desmame).

9 - A chupeta causa, além do comprometimento da fala já citado, o atraso no desenvolvimento da fala. Ao invés de expressar-se para ser ouvida e para aprender a se comunicar, lá está a criança com a boca "tampada".

10 - A chupeta é um instrumento que acalma os pais, não o bebê. Ela serve para satisfazer a necessidade de silêncio dos adultos e não resolve a angústia do choro da criança. Em outras palavras: Ela não é facilitadora do vínculo afetivo e prejudica a interação e o (re)conhecimento da família diante das necessidades do bebê.

11 - Durante o primeiro ano de vida, o bebê passa por uma fase de desenvolvimento que a psicanálise denomina "fase oral". Durante esse período, os bebês experimentam o mundo. Texturas, sabores, formatos. A amamentação é a fonte de satisfação de um bebê. Ele nasce com o reflexo de sucção e aprende que é pela boca que pode obter satisfação. Então ele passa a experimentar objetos, formas, pele, partes do próprio corpo. Um bebê que use chupeta é privado de boa parte dessa fase de descobertas. Bebês com frustrações na fase oral têm maiores chances de desenvolver hábitos nocivos no futuro, como o de mascar chicletes, chupar dedo, comer exageradamente e fumar.

12 - A chupeta é uma grande fonte de fungos e bactérias. Favorece cáries precoces e expõe o bebê a doenças.

13 - A chupeta pode provocar irreversíveis alterações no céu da boca.

14 - A chupeta causa dependência física e psicológica.

15 - Usar chupeta é feio. E quase tudo isso que você leu nessa lista serve TAMBÉM para o uso de mamadeiras.
(Por Mah Araújo)

Referências:

http://www.fonoaudiologia.med.br/motricidade/117-alteracao-na-mordida-a-respiracao-errada-pode-estar-contribuindo
http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=89&id_detalhe=1696&tipo_detalhe=S
http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=89&id_detalhe=3190&tipo_detalhe=S
http://www.aleitamento.med.br/a_artigos.asp?id=1&id_artigo=285&id_subcategoria=2
http://www.fonoaudiologia.com/trabalhos/artigos/artigo-019/artigo-019-chupeta.htm
http://guiadobebe.uol.com.br/recemnasc/chega_de_chupeta.htm
http://www.cefac.br/revista/revista12/Artigo%206.pdf
http://www4.uninove.br/ojs/index.php/saude/article/viewFile/1414/1202

Adendos:

1 - Não é aconselhado uma retirada bruta. Inclusive da chupeta. Tudo tem que ser sempre gradual.

2 - Efeitos expostos na lista são agravados com o uso de "cheirinhos" e "paninhos" pendurados.


sábado, 8 de outubro de 2011

Os brincos e as orelhas infantis

"Desde os primórdios da histórias, diferentes culturas criaram cerimônias para marcar a passagem de um estágio da vida para o outro; a cerimônia supre a necessidade emocional e de amadurecimento do indivíduo, e a necessidade cultural do grupo. Cada transição na vida de uma garota ou mulher - da puberdade à menopausa - representa um acontecimento físico importantissímo, afetando sua mente e sua alma. Portanto, faz sentido que cada passo do desenvolvimento ou da transição saudáveis de uma mulher exija uma resposta que confirme seu significado. As cerimônias definem o significado e a celebração da feminilidade de uma garota e aumenta sua auto-estima. "



(trecho retirado do livro: É uma menina! Como desenvolver a auto-estima de nossas filhas - de Virginia Beane Rutter)


Daí que quando eu descobrí que estava grávida de uma menina, além de ter ficado puta (eu explico essa parte num outro post), lá fui eu me preocupar com a orelinha da boneca. Tenho uma tia-avó muito querida que marcou bastante a minha vida com essa questão dos rituais de passagem, que me perguntou o que ela poderia dar pra Aurora de presente e que ela iria guardar pro resto da vida, assim, uma lembrança inesquecível. Matutei cá com os meus botões e pedi um brinco, o primeiro brinco da minha princesinha, e que vou fazer questão de guardar pra sempre.

Os brincos estão aqui, fechados na caxinha.

Tá, eu queria colocar. Até cheguei a marcar com um médico daqui de Lavras que fura orelinha de recém-nascido (pq né, furar na farmácia NÃO ROLA mulherada! Aquela pistolinha pode passar um bocado de doenças, além do brinco ser super enorme e poder rasgar a orelha da pobre da criança), mas desisti. Eu fiquei pensando na época que né, a pobre da criança já estava a sofrer pq sair da barriga quentinha, aquática e confortável pra um meio ambiente esquisito, com barulhos e sensações diferentes é péssimo, imagina impingir mais esse desconforto a ela? Se você tem um segundo furo, sabe muito bem o que eu estou falando. Arde pra cassete furar a orelha.

"Ha, mas é melhor furar logo que orelha de recém-nascido é molinha e não dói". Não dói o escambal! Se não doesse a criança não chorava! E né, ÓBVIO que dói, afinal orelhas tem terminações nervosas. O que acontece é que o bebê não vai ter muito como reclamar, mas isso não o impede de ficar incomodado.

Bom, eu não furei. Não furei porque é uma coisa que eu quis deixar ela decidir. O corpo é dela, as orelhas são dela e é ela quem decide se vai querer usar brincos ou não. Não é uma decisão que cabe a mim. Conheço gente que fez dois furos na orelha da filha porque "acha bonito" e "queria ter dois furos na própria orelha quando criança e preferiu poupar a filha de lembrar da dor quando fosse mais velha". Nem comento, pq né, se um furo já dói, imagina dois.

Então eu tava pensando esses dias nessa coisa dos rituais e é isso que eu vou fazer. O dia que a Aurora me pedir, vamos lá eu e ela, mãe e filha, num momento só nosso, celebrar a feminilidade dela e furar as orelhas. :) Depois de furadas, vou levá-la pra tomar um café-da-tarde gostoso numa confeitaria pra marcar essa passagem de bebê pra garotinha. Os brincos vão ser aqueles que a minha tia avó deu, que tão alí na caixinha de jóias guardadinhos esperando, junto com mais um par que essa mesma tia me deu quando eu fiquei moçinha e mais um par que eu comprei pra Aurora. Acho que faz parte do respeito que a gente tem que aprender a desenvolver pelos nossos pequenos, pois por mais que quem decida (por enquanto) seja a gente, o corpo é deles, e não podemos sair por aí fazendo o que nos dá na telha.

Enfim, fica a reflexão. Não me xinguem ok? Essa é a minha visão das coisas. Se você acha que não tem nada haver, beleza, cada um no seu quadrado, mas eu, euzinha aqui, penso assim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sobre as piadas

Daí que essas semanas andou rolando uma chage no facebook que basicamente dizia "alface tem sentimentos. coma pedras". Nem preciso falar que achei de super mal gosto né? Pois é, morro e não vejo tudo. Reclamei e comentei em cada uma das charges do povo que postou isso e devo ter ficado com uma fama de chata. Me indispuz com uma galera e corro o risco de ser mal-quista (novamente) entre os familiares, mas vai, tenho que confessar que me faria muito mais mal ficar quieta e subserviente, sem falar nada, do que arrumar uma briguinha a mais.

Gente, na boa, se você acha engraçado esse tipo de humor, se gosta e pans, legal, fica de boa na sua e não compartilha. É um porre ouvir esse tipo de piada e ter que explicar pros anencéfalos que a porra do alface, assim como alguns seres humanos, não tem sistema nervoso e, portanto, não sente dor.

Experimenta dizer que você é vegetariano por um dia pra você ver o tanto de piada ridícula que você vai escutar. Sério, são 6 anos de piadas toscas, de perguntas babacas e de gente sem tato falando no meu ouvido e o caneco já enxeu e não, eu não vou mais ficar quieta.

Só porque você acha uma coisa engraçada e diz que é uma piada, isso não me tira o direito de ficar ofendida e achar tosco. Do mesmo jeito que não é legal fazer piadas com negros, gays, judeus, mulheres e outras minorias, não é massa fazer piadas com vegetarianos. O que parece é que, como fazer piada desses grupos (negros, gays, mulheres e etc) ficou feio e socialmente inaceitável, a bola da vez somos nós, os vegetarianos. Então, assim, a próxima vez que você ouvir uma merda dessas, por favor não ria. A piada só é engraçada quando não é com você, e esse tipo de comportamento não deve ser estimulado pq né, ficar tirando sarro da cara dos outros não é massa.

Por favor, deixem os vegetarianos em paz, porra!

domingo, 2 de outubro de 2011

PN x cirurgia - Por Marilyn Moroe

PN x cirurgia - Por Marilyn Moroe
Parto Normal (PN) X Cirurgia (Cesárea)

Parir parte a mulher em mil pedaços, ela é obrigada a se reconstruir, a renascer não somente porque há alguém que agora depende dela imensamente, intensamente, mas porque seu próprio corpo vive uma revolução interna que a transforma imediatamente após o parto em alguém diferente.

A comunicação do corpo com o cérebro após o desencadeamento do parto é imediata e quase que na totalidade das vezes, mesmo após um parto Frank, é benéfica, bem-sucedida, embora haja exceções. O corpo após o parto é forte, é apto, está absolutamente pronto para cuidar do bebê, a mãe pode inclusive colocar o bebê de volta na barriga, dessa vez pelo lado de fora, o que acalma o bebê e traz absoluta serenidade à mulher.

Isso não ocorre jamais após a cesariana. O cérebro da mulher que sofreu cirurgia para extração de bebê fica temporariamente embotado, ele não pode acessar o trabalho de parto e o desencadeamento porque isso não ocorreu. A mulher se emociona com o bebê porque é humana, civilizada e inteligente, mas seu corpo não vive isso, tanto que ela não tem condições de levantar-se logo após a cirurgia, não pode dormir com o bebê em cima de sua barriga, está dodói, precisa ser amaparada e cuidada.

Há uma defasagem corporal e cortical temporária entre a mulher que vive um PN e a que passa por um cirurgia. Para algumas mulheres um PN pode ser tão traumático quanto uma cesariana, para outras uma cesariana pode ser tão facilmente decodificada quanto um PN, mas são exceções os dois casos.

De maneira geral o PN ajuda a mulher a corticalizar o nascimento enquanto a cirurgia dificulta o trabalho cerebral ancestral de sentir-se apta na luta pela sobrevivência. A cesariana é vivida pelo cérebro humano como derrota na luta pela sobrevivência, daí surgirem transtornos como depressão pós-parto e insegurança para cuidar do bebê.

Despedida da barriga

Quando a gente chega no final da gestação, principalmente praquelas que chegam às 40 semanas, dá um frio na barriga, uma vontade louca de conhecer o bebê e, não menos importante, se sentir aliviada das dores nas costas, do peso da barriga e do xixi de 5 em 5min. Daí que eu acho que fazer a despedida da barriga é um ritual super bacana que vai ajudar o teu bebê a entender que já está tudo pronto pra chegada dele e vai te ajudar a relaxar. Vou dividir um pouquinho com vocês o que eu aprendí nas minhas andanças por aí.

Escreva uma carta
Isso mesmo, escreva uma carta pro filhote. Diga como você se sente, o quanto o ama, como você preparou as coisas pra chegada dele, como está o papai, enfim, escreva o que lhe der na telha. É mais uma carta desabafo de final de gestação mesmo. No futuro, se vc tiver vontade, poderá mostrar a carta pra ele. Eu escreví uma pra Aurora e, além de me ajudar a colocar os pensamentos em ordem e ficar mais centrada, acabei entrando em trabalho de parto uns 3 dias depois.

Barriga de gesso
fonte: http://massagemolhosdemel.blogspot.com/2010/09/barrigas-de-gesso.html

Outra coisa legal de você fazer (e guardar como lembrança) é uma barriga de gesso! Tem alguns profissionais que fazem esse trabalho, mas dá pra você mesma fazer em casa com a ajuda de algumas amigas (num belo chá de bençãos), do marido ou de qualquer outra pessoa. Basicamente você coloca gesso na barriga e deixa secar. Não vou dar o PAP pq essa eu infelizmente não fiz (ô se arrependimento matasse!) e não sei fazer direito, mas acho que dando uma googolada vc deve encontrar.


Escalda pés
Outra coisa que foi tiro e queda pra me aliviar da tensão e fazer a Aurora sair da casinha foi um maravilhoso escada pés oferecido no hospital Sofia Feldman. Gente, olha, vou te contar que eu queria que a Aurora tivesse demorado mais a nascer só pra eu ter uns 4 escalda-pés daquele! Ô coisa mais maravilhosa de deus! kkkkkk Mas sério, voltando ao assunto, esse também é legal de fazer com as amigas que já tiveram filhos ou o marido pode fazer em você. Se você tem uma doula, é provável que ela saiba te oferecer um escalda pés dos deuses! Basicamente você pode pegar algumas folhas de alface (não me lembro pq, mas o alface tem alguma propriedade legal pra quem tá no final da gestação), umas pétalas de rosa e juntar numa bacia com água quente. É uma delícia!!!


Chá de bençãos
Essa é a melhor invenção EVER que eu já ví! As meninas lá de BH inventaram um negócio que se chama chá de bençãos e que elas fazem quando a gestante chega ao final da gestação. É uma roda de mulheres que se transforma num ambiente muito gostoso onde basicamente as outras mulheres mimam a gestante. Dentre os mimos, a gestante recebe massagens, o escalda pés, fazem a barriga de gesso, pintura na barriga e as outras mãos enviam boas vibrações e compartilham experiências com a "mom to be". Sabe, é bem daquelas coisas ritualisticas que foram se perdendo e que não deveriam de forma alguma ser deixadas de lado. O chá de bençãos faz a gestante se sentir querida, acolhida e com forças pra enfrentar os desafios da maternidade. É tanta ocitocina junto que não dá vontade de ir embora nunca mais! Tem também o chá de pós-parto, que é a mesma coisa que o chá de bençãos, porém quando o bebê já nasceu. Esse eu acho super importante pq todo mundo sabe que mãe nos primeiros dias de nascimento do bebê fica meio maluca, meio desnorteada e um tanto apavorada. É legal ter esse contato com outras mulheres que já passaram por isso pra ver que (além delas não terem ficado malucas) é assim mesmo.

(essas pinturas maravilhosas quem faz é a Julia, doula de SP)

Pintura na barriga
Essas pinturas na barriga também são ótimas pra brincar e ajudar a gestante a relaxar, além de serem uma ótima recordação da gravidez (e esconderem as estrias hehehehe). Dá pra tirar um monte de fotos bacanas. :)

Bom, é isso. Se eu lembrar de mais coisas depois eu posto.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

1 ano minimalista e meio natureba

Daí que eu e o Lu, com o aniversário da Aurora, decimos fazer uma festa sem firulas, sem princesas e sem rosa. Se eu ainda tivesse em Brasília, teria pego as kiança tudo e levado pra fazer um piquenique no parque da cidade MÁS como aqui não tem parque, decidimos alugar um salão de festas e comprar a decoração toda nas férias (que a gente passou no RJ com a minha mãe). Rodamos e compramos 90% das coisas na Rua Tereza lá em Petrópolis (que aliás, eu super recomendo pra quem quer comprar quinquilharia a um preço ótimo) e assim foi. Nos dois fizemos tudo: do salgadinho à decoração e eu vim mostrar pra vocês! :)

 O bolo de leite ninho. Eu fiz com a minha sogran! Ficou show né? Se liga no trabalho profissa!

Os convites a gente comprou pronto, mas decidimos enfeitar e colamos um fuxico num ímã de geladeira e penduramos um mini-pregador.  


Galera concentrada enrrolando brigadeiros 


 Aqui em casa até vô preguiçoso trabalha


A cobertura do bolo (não reparem no entulho na pia) 


Mesa do bolo

 Esses eram os enfeites de mesa. Era tipo uma cestinha de eva com um monte de jejubas. As mesas dos convidados eu forrei com TNT.



Esse trenzinho as irmãs do meu padrasto acharam num brechó e mandaram. Ficou lindo e a Aurora adora brincar! Ele anda e toca musiquinha! Uma coisa de fofo!

Então, eu acho que valeu a pena fazer tudo. Sei lá, eu gosto de trabalhos manuais e faria tudo de novo, só que com mais calma. Sobrou muita comida (metade dos meus convidados resolveu não ir de última hora) mas tá valendo! A Aurora curtiu até e no final da festa até fez dançinha! 

Do lado da mesa dos convidados, tinha uma mesa com comes e bebes. Fizemos, além dos salgadinhos (todos vegetarianos) e brigadeiros, suco, espetinho de frutas, mini pizza e demos de lembrançinha um trem daqueles de soprar bolha. Ficou simples, baratinho e homemade. O próximo eu quero mais simples ainda, e de preferência ao ar livre. Vamos ver o que eu consigo fazer! hehehheehe

domingo, 25 de setembro de 2011

Bolo de amora sem leite e sem ovos

"Cê gosta de amora? Vou contar pro seu pai que você namora!!!"


Entonces, me gusta pra caralho essa coisa de frutas da estação e pans, mas particularmente me encantam as amoras, que quem viveu em Brasília durante a infância sabe que essas frutinhas são um prato cheio pras brincadeiras de casinha. Não tem coisa mais gotosa do que subir num pé de amora e ficar lá, só comendo, em cima da árvore mesmo! Em quase todas as quadras (quarteirões) tem pé de amora, e elas são disputadissímas!!! Cansei de voltar da escola e ficar catando amora! Minha memória afetiva fica radiante quando chega essa época do ano! (L)

Daí que na UFLA tem um monte de pé de amora, e como os butineiros (o pessoal da agronomía) só dá atenção pra milho e feijão, as amoras ficam esquecidas e os pés, carregadaços! Ontem eu e o Lu não resistimos e catamos um monte pra levar pra Aurora. Como ela não deu muita atenção e de noite eu cismei que queria comer bolo, acabei fazendo um com essa receita! Deliciem-se!


Ingredientes
- 2 xíc de farinha de trigo
- 1 xíc de açúcar
- 4 col de sopa de coco ralado
- 1 xíc de amoras
- 1 col de sobremesa de fermento em pó
- 2 xíc de água morna
- 4 col de sopa de óleo de laranja
- 1 col de sobremesa de cacau em pó (aquele chocolate dos padres)

Modo de preparo
Ligue o forno antes de começar pra ele ficar pré-aquecido.
Peneire a farinha de trigo e o açúcar e misture tudo, menos as amoras e o fermento. Quando tiver tudo misturado, acrescente o fermento e misture mais um pouquinho. Despeje a mistura em uma forma untada com óleo e farinha de trigo e, por último, coloque as amoras. Afunde um pouquinho as amoras na massa do bolo com os dedos pra elas ficarem bem espalhadas. Leve ao fogo médio por aproximadamente 45 minutos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mobilização para Doação de Leite Materno Nacional


Mobilização para Doação de Leite Materno Nacional

A partir de 1 de outubro inicia-se a semana nacional de mobilização para doação de leite materno, abrange todas as mulheres que amamentam, independente da idade da amamentação, basta participar e doar!


Tema da Campanha: "VOCÊ TEM A CURA EM SUAS MAMAS!" 

Convocamos todas as mães brasileiras e do Grupo AMS a estarem fazendo as suas doações neste dias. Vamos comemorar o Dia Nacional de Doação de Leite Materno doando leite á todos os bebês que precisam deste líquido precioso!

Saiba mais sobre o Banco de Leite nesta série apresentada pelo Dr. José Martins Filho na TV Conexão Brasil:


Relação do Bancos de Leite no Brasil:

http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=356


Uma história de sucesso para inspirar:
Curta nossa campanha permanente:

http://www.facebook.com/pages/Doe-Leite-Materno-Campanha-Nacional/173644672689716

E poste o nosso Selo de Doadora em seu blog!

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=173652556022261&set=pu.173644672689716&type=1&theater


BASTA LIGAR PARA O BANCO DE LEITE MAIS PRÓXIMO DA SUA RESIDÊNCIA E SE CADASTRAR. O BANCO ENVIA UMA ENFERMEIRA ATÉ VOCÊ, QUE DARÁ TODAS AS ORIENTAÇÕES NECESSÁRIAS. PARA A PRIMEIRA DOAÇÃO, É NECESSÁRIO ARMAZENAR A PRIMEIRA DOAÇÃO EM UM RECIPIENTE DE VIDRO COM TAMPA DE PLÁSTICO. OS DEMAIS FRASCOS SERÃO DOADOS PELO HOSPITAL. A ENFERMEIRA IRÁ SEMANALMENTE JUNTO COM O CORPO DE BOMBEIROS FAZER A COLETA DOMICILIAR. MAS FÁCIL IMPOSSÍVEL!

Por favor, nos ajudem a divulgar e alcançar o máximo possível de novas doadoras!

Simone de Carvalho
Administradora da "Aleitamento Materno Solidário"

Meninas, participem, nem que seja pra doar 30ml por semana já é válido!

Lembrem-se, prematuros podem até ir a óbito por leite artificial, pode causar hemorragia intestinal e sem retorno, ou seja, sem chance de vida!!!

Informem-se e encorajem-se pra doar, é um ato de vida e amor!
(Postado por Adeise Marcondes na comunidade do orkut Gravidez, Parto e Maternidade)

Cadê meu tapeteeeeeeeeeeee II

Lembra que eu disse que roubaram o meu tapete de porta aqui? Pois é, ontem eu chego em casa e pra minha surpresa, quem estava lá, todo sujinho e com cara de esquecido, me esperandinho na porta???

O próprio!


Fiquei tão feliz!!!

Acho que algum vizinho com coração deve ter lido o meu blog e feito o ladrão devolver ou coisa do gênero. (L)

Ai ai, ainda há esperanças no mundo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Entrevista com Ina May Garskin




Entrevista com Ina May Gaskin

" Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa de água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar “ok, parir é assim”. Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante, desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente. Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito. 

Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração, vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que, quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum. 

Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegou a 8 cm relativamente rápido e pensei “que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde” e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava “rushes”, já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de “dor. Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei! Então o que você faz? Algumas mulheres dizem “é a pior coisa que já senti na vida” e outras pessoas falam “isso não é ruim, é até excitante”. Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o que estava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto.
 
Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia “desdilatar” o cérvix, nunca li isso num livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu disse a ela “sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas?” Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendicom isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos. Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário.
 
Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a resposta foi “os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o toque errado da primeira vez”. Os médicos com quem conversei também não sabiam a respeito disso. Pensei “se isso acontece, por que não está registrado em livros?
 
Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante. 
Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei “hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente.
 
Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei “que criativo! Como não pensei nisso antes?” E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis, apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei “este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar”, porque ela estava rígida de pavor.
 
 
Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): “Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece.” A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso. 

Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei “minha nossa, eles não sabem como beijar”. Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, “Linda, coma boca aberta”. Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse a boca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta, com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.
 
Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo. 

Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês “não esqueçam de beijar”. Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar.

Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula ptuitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente.
 
Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna. 

O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja alguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar. Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina) são antagonistas e é este que vai atravancar o parto.

Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira.
 
O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de perto na presença delas. 

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm de dilatação, porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato. 

Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. Almeja-se gentileza. 

Pensei em como explicar isso e lembrei “esfíncter”. Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto.
 
Você não pode dizer a alguém “quero que você evacue exatamente às 09:00 e, se não conseguir, estará em maus lençóis.” Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradas para você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aquele esfíncter ficará mais “tímido”. Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se , rapidamente. 


Tenho que agredecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia se não fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado. Eu poderia! Dr. Wynne, que é o médico de quem falei, que retirou o bebê prematuro, estava certa vez em Washington, DC, num banheiro público num congresso. Todos estavam urinando quando de repente entram vários policiais do serviço secreto e, no meio deles, Henry Kissinger e aí: todos pararam.
 
Estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela sabia onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos (já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão. 

Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando no quarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital ou com a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter. Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente. Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa.


Traduzido por Flávia Mandic